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“Oficina de Arte”: Trabalho
a Quatro Mãos |
A “Oficina de Artes” é um projeto auto-sustentável
realizado no Solar das Magnólias que se utiliza das atividades
manuais como estratégia de reabilitação, focando
a construção da subjetividade do paciente residente.
Os produtos confeccionados são comercializados no Solar das Magnólias
e/ou feiras promovidas pela própria entidade (Mostra de Arte
Inclusiva do Solar). Com o resultado das vendas, o dinheiro é
revertido para a manutenção da oficina e gratificação
dos pacientes residentes pelo trabalho realizado. Desta forma exige
um compromisso estético com o produto, para que possa ser apreciado
e almejado pelo consumidor.
Diante das limitações físicas e
cognitivas do paciente residente, utilizamos diferentes recursos e técnicas
que entre outras questões viabilizam a qualidade do produto realizado,
como também a maior independência dos pacientes na sua
execução, o desenvolvimento de suas habilidades e a possibilidade
de satisfação pessoal no nível máximo de
sua vida ocupacional.
Um dos procedimentos empregados na oficina é o desmembramento
das atividades, dividindo-as em etapas, por exemplo, na pintura em painéis
há seis etapas.
Cada etapa requer um conjunto de habilidades que pode ou não
estar desenvolvidos no paciente. Deste modo ele pode executá-las
com diferentes graus de independência: independente, com supervisão,
com auxílio máximo, médio, mínimo e dependente.
Deste modo o paciente é acompanhado na realização
da tarefa recebendo auxílios conforme sua necessidade, quando
ele não consegue realizá-las fica a cargo do terapeuta.
Para exemplificar, no quadro a seguir estão descritas as etapas
de um projeto (painéis), e o grau de independência para
cada etapa de um paciente residente freqüentador da “Oficina
de Artes”.
Etapas da Atividade |
Grau de independência |
Observações |
1º) Planejamento do projeto (processo
de criação, escolha de cores, formas) |
Dependente |
Participa do processo, escolhendo painel e
sugerindo cores. |
2º) Passar massa texturizado |
Independente |
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3º) Passar massa acrílica |
Auxilio médio |
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4º) 1ª demão de tinta |
Independente |
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5º) 2ª demão de tinta |
Auxílio mínimo |
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6º) Relevos |
Auxílio máximo |
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O paciente citado realiza duas etapas sem nenhum auxílio,
as demais precisam de ajuda sistemática, ou seja, ele apresenta
dependência para realização do trabalho. Desta forma
muitas vezes somos questionados qual a validade da nossa prática.
Ora é compreensiva a crítica, pois o produto em si não
revela os bastidores.
Embora o paciente residente não faça todas
as etapas, ele acompanha todos os procedimentos e tem apropriação
do seu trabalho, apresentando o sentimento de realização
e gerando expectativas em relação aceitação
do produto. Atualmente apenas um paciente realiza todas as etapas com
independência.
Frases como “tá bom”, “tá
bonito”, “errei”, “vamos trabalhar”, “eu
fiz”, permeia todo o processo do fazer, demonstrando o esforço,
dedicação, o desenvolvimento da percepção
e do senso crítico.
Ressaltamos também a iniciativa e preferências,
como o paciente que citamos no texto, ele escolhe o que quer fazer e
pede o material que deseja usar, caso contrário não o
faz; ou quando só aceita fazer etapas avançadas do trabalho,
não aceitando, por exemplo, lixar uma caixa, alias etapa importante,
mas nada agradável.
Há situações que eles gostam de sair
da oficina, sujos de tinta, nessa ocasião, como não pensar
na identidade que essa atividade está gerando, a ponta de quererem
exteriorizar que trabalham.
Cada peça que confeccionamos trama uma história
única, que envolve a relação terapeuta/paciente,
gerando um sentimento de pertencimento de um grupo, a convivência,
o exercício da práxis, possibilitando a construção
de um cotidiano enriquecido por ações e emoções
que validam o existir e dá sentido ao “fazer”, possibilitando
uma identidade singular no ambiente institucional.
E são nessas questões que se encontra o
processo terapêutico do nosso trabalho. Tendo seu auge quando
tornado ao público e investido nas relações sociais.
Andrea Franchi- Psicopedagoga
Liege Flávia da Silva- Terapeuta Ocupacional